quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Anúncio publicitário

De Alexey Lobur (daqui)



Procura-se companheira/o
para relacionamento poético sério.
Apenas se exige que saiba dizer
que o surrealismo é coisa para
ter morrido no século XX.
David Teles Pereira




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

"Há que cerrar fileiras, este país tem FUTURO!" — diz JB

* Comentário de JB ao post Dois casamentos e uma renovação de votos

Renovação de votos?
Não, Obrigado!
Não casei (votei) com Costa, nem com Marcelo!

Mas, há coisas que não podemos “abafar” dentro de nós…

Desde domingo (15 Outubro) que todos, todos mesmo (até porque somos um país de primos), ouvimos, contactámos ou tomámos café com amigos de Nelas, Carregal do Sal, familiares de Tondela ou Vouzela ou conhecidos de Oliveira de Frades. TODOS contam estórias de pânico, rapidez das chamas e destruição.
Os que se deslocavam na A25; os que iam na camioneta do Sr Eduardo, no IP3; os que perderam o emprego; os que tiveram que fugir de casa; os que quase ficaram presos na A25; os que….

Face a este (2º) dilúvio de fogo o desamparado e confuso povo, que respostas políticas teve?
Um Costa tecnocrático, distante e político.
Um Marcelo afectuoso, acutilante e manhoso.

Não renovo os meus votos com ambos, pois ambos têm agendas, projectos muito diferentes das que gostaria de ver implementadas.
Mas constatamos que a Geringonça faz mesmo comichão! O vómito de ódio à diferença, que passa nas tv´s, é incontornável. Portugal só pode ser governado à direita, pela direita ou por quem inequivocamente faça uma política de direita. Quem defender outras soluções, não pode governar!
Desligo o aparelho!

Costa gere a situação muito mal. Há um certo ar de “auto-convencimento”…

Marcelo sabe que os argumentos emocionais podem resultar. Distante de ambos, não posso deixar de dizer que Marcelo foi o “chefe político” que o povo gostaria de ter ouvido. Acutilante com a classe política (como se ele fosse distante…), com o governo e prometendo mudanças (eleições antecipadas?). Eu sei que é sempre de má política elogiar alguém da direita, seja o que for que esse alguém tenha feito, porque breve virá o dia em que esse elogio fica desmentido pelo comportamento do elogiado.

Marcelo é manhoso ao dar apoio e força a uma direita, que se reorganiza, tentando projectá-la para um patamar político que ela não está em condições de alcançar.
O “menino” cresceu e o “Guerreiro Adolescente” apresenta-se com apoio de Marcelo?

No fim, não posso deixar de recomendar este site/entrevista com Viriato Soromenho Marques, que muito tem escrito e meditado sobre a CIDADANIA!
"Aparente apatia" dos portugueses pode transformar-se numa "revolta eloquente"


Há que cerrar fileiras, este país tem FUTURO!





A sua coragem salvou muitas vidas de jovens do concelho de Viseu.
Bem-Haja!



JB

Dois casamentos e uma renovação de votos

Aviso à navegação:
isto não é o Mistério das Vozes Búlgaras a invadir o plateau de um filme de Peter Greenaway




Depois de dois anos de preparação, em 23 e 24 de Maio de 2011, Sarah Small apresentou este quadro vivo com 120 participantes no Skylight One Hanson (Brooklyn, NY).

Partindo das suas raízes na fotografia, Sarah explora aqui um fenómeno social específico: o ritual do casamento, a celebração pública da união mais íntima entre dois indivíduos. 


Sarah Small celebra dois casamentos e uma renovação de votos.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Esse quieto vapor do mundo

Fotografia de Mario Cravo Neto

Estar demasiado
suspenso
sobre a luz
dos objectos
e cravar
no próprio pescoço
os dedos insuficientes
para juntar
uma concha
e trazer à boca
abundante
esse quieto vapor
do mundo.
Vasco Gato


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Animais domésticos

Pintura de Njideka Akunyili Crosby


Não cedas ao quarto com ela. Não
dês nome ao
perfume. Deixa-a cuidar sozinha da
íntima
idade dela. Vai tu
encantar a mais nova. Conta
um conto à miúda. Acata a
meia hora como
se fosse um instante.
Hoje é
a própria noite que
apela ao murmúrio. Conheces
como ela tarda no desvelo
de te ter. Mas
não
lhe meças tu
sedas. Não acertes tu o lume. Quando
menos estás à espera a
maçã que já trincaste vai
saber de
novo a
sumo.
João Luís Barreto Guimarães


domingo, 15 de outubro de 2017

Diário

Fotografia de Brett Walker

A partir de agora, todo o poema que fale de amor, fora.
Todo o poema que não revolucione, fora.
Todo o poema que não ensine, fora.
Todo o poema que não salve vidas, fora.
Todo o poema que não se sobreviva, fora.
Vou deixar um anúncio no jornal:
Procura-se poeta. Trespasso-me.
Ana Salomé


sábado, 14 de outubro de 2017

"And Now For Something Completely Different" (#165)

Claudia Cardinale,
Gina Lollobrigida,
Rita Hayworth,
Audrey Hepburn,
Sophia Loren,
Marilyn Monroe,
Lana Turner,
Grace Kelly,
Catherine Zeta-Jones,
Kelly LeBrock,
Elizabeth Taylor,
Vivian Leigh,
Gene Tierney,
Ava Gardner,
(...)

Carta de marear

Ilustração de Miranda Tacchia

Não há corpo igual. Não há cheiro nenhum no mundo que colmate o meu vício por ti. Não há tragédia igual. Drama incorruptível.
O tamanho de tudo, encaixe perfeito, a dimensão do conjunto e a distância entre opostos.
O que aporto eu? Flores. Mecanismos para deliciar. Sorrisos repartidos ao pôr-da-lua. Fazer ver a leveza do mundo, afinal. São flores que eu aporto. A minha caneta, o meu lápis, a tua vida no meu caderno-para-sempre. Votos de mar a vida inteira.
Leva-me. Está a ficar escuro. Tenho tudo tão pertinho.
Há uma pornografia íntima nisto nosso. Dá água na boca.
Segura-me. Musa.
Porque a pele.
Porque o rosto e as minhas mãos descendo.
Porque nós.
Não fiques, mas não vás. Avião outra vez. Porque tu.
O meu anel está a arder.
Tudo tão muito e eu a tremer como sempre.
A minha esperança é azul. Propagação. Níveis do Inferno.
Flores de Jacarandá no chão.
Gostava de me decifrar. Perdi o relógio, perdi a caneta, não perdi o anel. Ele arde-me.
Era isso! A faísca. No caos, a faísca. Tu. Não esquecer.
Fazer ver a leveza da tempestade. Até doerem os dedos. Até chorar. Até rir. Até dormir descansada no teu peito azul.
Comer-te.
Orgasmo.
Não esquecer.
Patrícia Baltazar


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Fêmeas e machos*

* Publicado hoje no Jornal do Centro

Catarina Gomes e Luísa Pinto
(daqui)

A primeira vez que ouvi o termo microglia foi numa entrevista às investigadoras Catarina Gomes, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e Luísa Pinto, do Instituto de Ciências da Vida e da Saúde da Universidade do Minho. Com o que ouvi delas e o que li no verbete da Wikipédia tornei-me um “especialista instantâneo” no assunto, pronto a brilhar no Facebook.

Estou a ironizar, como é lógico. Sei muito pouco sobre a microglia, o conjunto de “células especializadas do sistema imunitário” que defende o “normal funcionamento” do nosso cérebro e medula, o conjunto de células guardiãs dos nossos preciosos neurónios.

Quem sabe muito daquelas células são aquelas investigadoras e as suas equipas que acabam de ver um seu trabalho sobre a ansiedade crónica publicado na Molecular Psychiatry, uma publicação de referência mundial.

Elas apuraram, em experiências feitas com animais, que a alteração do sistema imunitário da grávida produzia alterações permanentes na microglia dos filhos, que essa anomalia era diferente no sexo feminino e no sexo masculino, que essa diferença persistia até na idade adulta, e que terapias desenhadas para o combate à ansiedade tinham muito piores resultados nas fêmeas do que nos machos.

Depois deste estudo, estas cientistas ficaram com uma certeza — para tratar a ansiedade crónica, um dos principais gatilhos da depressão e outras doenças psiquiátricas, são necessários “fármacos que tenham por alvo outras células que não os neurónios” e esses fármacos têm que ser “diferenciados para homens e mulheres.”

Para chatear a CIG (a comissão para a igualdade de género) e o ministro Eduardo Cabrita que, em Agosto, meteram a pata na poça no caso dos livrinhos para meninas e meninos, sintetizo assim as conclusões desta investigação: para um tratamento eficaz da ansiedade crónica, a indústria farmacêutica vai ter que arranjar pílulas cor-de-rosa e pílulas azuis.

Hoy disolví un amor

Gif de Mattis Dovier

Hoy disolví un amor.

Algunos signos se vieron desplazados.

Algunos otros
quedaron en el aire.

Podría pensarse que es un día distinto.

Lo único cierto es que empezó el invierno.
Carina Sedevich



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Sinais*

* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 12 de Outubro de 2007


Luís Filipe Meneses, 
presidente do PSD de 12-10.2007 a 20.6.2008
1. Luís Filipe Menezes é o novo líder do PSD. Os “de baixo” disseram o que pensavam dos “de cima”. É para isso que servem os votos em democracia – para que haja mudança de “quem manda” sem derramamentos de sangue.

Agora Luís Filipe Menezes não vai dizer nada de substantivo até ao Congresso. Todo o farfalhar até lá é conversa de pardais atrás de milho; o primeiro pardal a abrir o bico foi Santana Lopes, o “menino guerreiro”, e o segundo foi Isaltino, o tio do taxista mais rico da Suíça. Com estes pássaros Luís Filipe Menezes não vai longe.

Alguns sectores do PS encarniçaram-se muito contra Marques Mendes. Deu para ver a preferência. A vitória de Luís Filipe Menezes pô-los a tocar as trompetas. “A maioria absoluta em 2009 está no papo”, pensam eles, a deitarem contas aos “rabos de palha” e irrequietude “populista” de Luís Filipe Menezes.

Ora, ainda está tudo em aberto para 2009. Os resultados eleitorais para a Câmara de Lisboa, o desemprego e a performance económica do país desaconselham triunfalismos.

Para começar, João Cravinho devia ser mais ouvido. É lamentável que o PS esteja a ser a muleta de Isaltino Morais na Câmara de Oeiras. Há coisas que cheiram mal. E que, em 2009, podem custar caro…

2. Durante mais de um mês, teve-se que aguentar o pára-arranca dos semáforos de Moselos enquanto, trezentos metros ao lado, prontas, as quatro faixas da nova variante acumulavam pó.

Aborrecidas com o desrespeito, as pessoas de Moselos não quiseram saber das gravatas e dos emplastros inaugurativos; foram lá, retiraram as barreiras e resolveram o problema. Foi um sinal dos tempos. O mesmo sinal da eleição de Menezes.

Abriu no colchão as valas possíveis

Fotografia Olho de Gato


Abriu no colchão as valas possíveis
e enterrou por ordem alfabética
cada parte do corpo: os pêlos
os pântanos as unhas encravadas
e as unhas que outros cravaram pelas coxas.
Estudou cuidadosamente as ondas as horas
para que não restassem dúvidas
sobre os caminhos marítimos
para a noite. Por fim
podou as janelas do quarto,
bebeu o vinho;
roeu a carne do quarto
até não sobrar nenhum coração.
Catarina Nunes de Almeida