sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sete anos*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. Um pequeno factóide: depois da sobredose "revolucionária" dos media por alturas do 25 de Abril e do 1º de Maio, as sondagens costumam detectar uma ligeira viragem do eleitorado à direita. Será que este ano se repete?

2. Nenhum dos candidatos presidenciais folclóricos que já apareceram parece capaz de mais do que os cinco minutos de fama já obtidos.

Já tanto Paulo Morais como Henrique Neto vão continuar a ser ouvidos mesmo que não cheguem a reunir as sete mil e quinhentas assinaturas. Eles são dois homens estimáveis que têm denunciado a corrupção e os podres da terceira república. Estranhamente, nem um nem outro põe em causa o equilíbrio constitucional do regime. Paulo Morais declarou até que o PR não precisa de mais poderes.


Sondagem feita a um povo sábio
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Será mesmo assim? Recordemos: todos os quatro presidentes — Eanes, Soares, Sampaio e Cavaco — tiveram dois mandatos. Os presidentes foram sempre reeleitos e isso não foi por acaso. É que, nos primeiros cinco anos, todos eles foram umas nulidades só preocupadas com uma coisa: a sua reeleição. Recordo os dois casos mais danosos — o presidente Soares aplanou a vida ao primeiro-ministro Cavaco até 1991 e o presidente Cavaco aplanou a vida ao primeiro-ministro Sócrates até 2011.

É por isso que seria desejável um mandato presidencial não renovável de sete anos, para evitar os decorativos cinco anos iniciais da função presidencial.

3. A chegada do "2020", o dinheiro da "Europa", fez regressar o sonho húmido preferido dos nossos políticos — as infra-estruturas.

Ele é a auto-estrada de Viseu para o sul com geografias cada vez mais estranhas. Ele é um comboio novo-em-trinque na estação de Viseu. Ele é um comboio recauchutado na estação de Mangualde. Ele é o PSD — o exacto mesmo que faliu a câmara de Santa Comba Dão — a querer de novo um pouca-terra-pouca-terra no ramal do Dão, com maquinista, pica e passageiros a dizerem adeus-adeus às licras da ecopista.

Não se aprendeu nada com a bancarrota de 2011.

2 comentários:

  1. Boa, Alex! Fizeste-me rir com essa do "sonho húmido preferido dos nossos políticos"!
    Sete anos de mandato presidencial, para que pare de haver sistematicamente um 1.º estéril e um 2.º histérico? Boa proposta e tem o meu apoio à cabeça. Talvez assim também eu volte aos sonhos húmidos da fé presidencial.
    :)

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    1. Yeeee!

      A ideia é passarmos a ter PR sempre e não como agora em que temos cinco-anos-sim cinco-anos-não.
      :-)

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